Olá, que bom receber sua visita!

Minha paixão pela Literatura tem raízes na infância, desde muito cedo me encantei pela leitura. Como também gosto de escrever, criei este espaço para compartilhar alguns de meus textos e divulgar meu trabalho.
Sou professora de Língua Portuguesa e quero que este blog seja também mais um canal de comunicação entre meus alunos e meus colegas de trabalho. Espero que gostem!

Um abraço. Eliz.


sábado, 5 de junho de 2010

Algumas poesias publicadas no livro "O Sopro do Jasmim"

A ponte
Terei os cem leitores de Sthendal?
Terei os cinco de Brás Cubas?
Terei um?

Confiar na providência.
Consagrar uma palavra a alguém que não conheço
É acreditar no milagre

Escrever é construir uma ponte sobre o abismo
Escrever é não temer o risco
Escrever é acreditar no que não se vê.


Dois amantes
Me pedes um poema
 e eu ressurjo exuberante e lírica
minha alma volátil expande coisas infinitas.

Para quê? Se estás inteiro no movimento dos meus lábios?
e te encantam as ondulações da minha voz
mais que as palavras que te ofereço?

Com medo que eu me dissolva no ar
como os versos que  eu recito sem me ouvires
tuas mãos me envolvem a cintura
e o que é matéria em mim te socorre
num abraço suave que me devolve à terra.

E a poesia,
continua ventando em minha cabeça.


O chapéu
Era de camurça
marrom
as abas não muito largas
geladinho ao toque seu forro de cetim.
Mas o que eu mais gostava
e o que mais temia perder,
era o cheiro do couro misturado com a colônia que ele usava
Personalíssimo.
Por isso,
Quando voltei para casa naquela tarde tão triste
Segurei o chapéu contra o peito
e como quem cumpre um ritual, respirei.
Respirei tão fundo quanto pude
o medo de que se dissipasse por completo
Contra o tempo não há remédio
Respirei, respirei
Virei frasco
A memória daquele cheiro agora alcança o meu pai.

domingo, 23 de maio de 2010

O dia 20 de maio de 2010 jamais sairá da minha memória. Nesse dia, os alunos das turmas 72, 81 e 82 organizaram um sarau para leitura das poesias do meu livro. Devo dizer que a voz de cada um fez com que meus poemas ficassem muito mais bonitos. Foi comovente a dedicação com que realizaram o evento: ensaiaram a leitura, decoraram o salão, organizaram o coquetel, recepcionaram os convidados com gentileza... Com o coração amolecido por tão singular presente, escrevi essas palavras de gratidão que dedico aos alunos a aos professores, ambos protagonistas neste lugar de amor e esperança que chamamos escola...

Algumas coisas que ensinamos e que aprendemos na escola...

Queríamos ensinar matemática e vocês aprenderam que quando cada um soma um pouco, há muito que dividir.
Queríamos ensinar a diversidade dos elementos da natureza e vocês aprenderam a ciência de conviver em harmonia, valorizando a participação de cada um.
Queríamos ensinar arte e vocês aprenderam a decorar o lugar onde receberiam os amigos.
Queríamos ensinar jogos cooperativos e vocês aprenderam a trabalhar em equipe, valorizando o outro, buscando um objetivo comum.
Queríamos ensiná-los a expressar suas idéias e vocês aprenderam a enfrentar a platéia, lendo com coragem o texto ensaiado com esmero.
Pedimos diariamente que prestem atenção nas aulas, que não interrompam o outro, que cada um fale de uma vez, e vocês aprenderam a permanecer em respeitoso silêncio, ouvindo com atenção a leitura do colega. A grandeza de saber falar e de saber calar.
Queríamos ensinar a ler e interpretar textos, e vocês aprenderam que qualquer texto só tem sentido quando sai do papel, na voz pessoal e única de cada leitor.
Queríamos ensinar geografia, e vocês aprenderam que no mundo não há melhor lugar do que aquele que chamamos de nosso.
Queríamos ensinar história e vocês aprenderam que a história mais bonita é vida de cada um.
Queríamos ensinar responsabilidade e vocês trabalharam com dedicação, ensaiaram, pensaram nos detalhes para que tudo ficasse perfeito.
Queríamos ensinar boas maneiras e um aluno comoveu a todos: quando eu abri a porta para a surpresa, este aluno, percebendo que a emoção congelara meus movimentos, tomou a iniciativa de ir até ao meu encontro para conduzir-me até o lugar reservado. Onde aprendeu tal sutileza?
Eu respondo sem erro, que ele aprendeu dos espelhos que viu em nós. Gentileza, dedicação, responsabilidade, respeito ao outro, amizade, tantos valores diluímos no conteúdo de nossas aulas...
Todos nós aprendemos um pouco. Ao comemorar a publicação do meu livro, de repente nos lembramos do desejo antigo de todo ser humano, o desejo de ultrapassar seu próprio limite. Uma maneira de superar nosso próprio limite é realizar algo de bom para alguém. Nesses momentos nos tornamos grandes. Crescemos. E provamos a autêntica felicidade. Felicidade é aquele sentimento que não cabe no limite do peito, felicidade sempre extrapola, transborda em sorriso e contagia quem está por perto, assim nos damos conta da grata surpresa que podemos ser um para o outro.
Quero encerrar dizendo a cada aluno de modo particular: obrigada, o mundo é mais bonito só porque você existe...
Profª Elizângela